Golpe da jaqueta em Roma: como eu quase caí nessa roubada

Pra quem acha que só os brasileiros têm o costume de passar os turistas para trás, trago aqui um exemplo de que é fundamental estar sempre atento, mesmo que você esteja em um país considerado de primeiro mundo: “o golpe da jaqueta”, do qual nós quase fomos vítimas há cerca de 4 anos, em Roma.

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Estávamos caminhando em uma manhã ensolarado à beira do Rio Tibre, quando um homem parou o carro próximo à calçada e nos chamou. Ele se apresentou como um alto executivo da Armani (mostrou um cartão de visitas com o nome dele), disse que morava em Milão e que estava de passagem em Roma para um evento do mundo da moda. Ele tinha um mapa da cidade em mãos e nos pediu ajuda para chegar à Praça de São Pedro.

Quando notou que éramos brasileiros, começou a conversar em um português bastante razoável e se mostrou muito simpático, dizendo que era apaixonado pelo Brasil e que, inclusive, sua esposa era brasileira, de Florianópolis.

Após darmos as indicações de como chegar à Praça, ele disse que gostaria de agradecer a nossa ajuda nos presenteando com uma jaqueta de couro legítimo da Armani, que estava no banco de trás do carro. Ele fez questão de dizer que se tratava de um item realmente caro, repetindo isso algumas vezes para reforçar o alto valor do tal presente.

Golpe da Jaqueta em Roma
Fonte: Pinterest – http://www.hipurbangirl.com

Foi então que ele perguntou qual era o meu tamanho e estendeu a mão me oferecendo a jaqueta, embalada em um saco plástico transparente. Neste momento, fiquei (ingenuamente) maravilhada com tamanha gentileza! Mas, felizmente, o Zé foi muito esperto e disse que não iríamos aceitar o agrado.

O cara continuou insistindo, e chegou uma hora em que decidimos colocar um fim ao bate-papo e continuar a nossa caminhada ruma às Catacumbas. Saímos um tanto quanto bruscamente e eu me lembro de ter visto o cara falar alguma coisa não muito educada um pouco antes de arrancar com o carro.

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Como ainda não tínhamos ouvido falar do golpe da jaqueta, começamos a tentar imaginar qual seria o desfecho daquela situação. Afinal, não era possível que, pelo simples fato de dar uma informação na rua, alguém quisesse nos presentear com uma jaqueta de couro valiosíssima e original da Armani!

Enfim, recorremos ao Google e lá estava explicado tin-tin por tin-tin o tal golpe da jaqueta, que é muito comum nos países europeus, especialmente na Itália.

Pra quem ainda não conhece como funciona o golpe da jaqueta, o que normalmente acontece quando você aceita o presente (de grego) é o seguinte: o sujeito diz que precisa de dinheiro para colocar gasolina no carro, ou apresenta algum outro motivo e pede que você o ajude, doando alguns euros. Obviamente, você fica sem-graça em não colaborar, e acaba desembolsando uma grana para supostamente ajudar aquela pessoa tão gentil, que acabou de lhe presentear com uma jaqueta Armani.

Nem é preciso falar que o cara não se contenta com pouco. Certamente, ele irá fazer com que você dê a ele muito mais do que aquela jaqueta falsa e “made in China” realmente vale…

Felizmente, não caímos da lábia desse espertinho – graças ao Zé, é claro! Mas fica aí o alerta pra vocês estarem sempre atentos a abordagens como essas, lembrando sempre que “almoço de graça não existe” – e que, para o bem do seu bolso e integridade física, é bom sempre desconfiar e simplesmente ignorar as pessoas que tentam lhe oferecer algo gratuitamente e/ou com muitas vantagens.

Sobre Márcia Oliveira 226 Artigos
É uma carioca completamente apaixonada por viagens - assim que chega de uma já está planejando a próxima. Atualmente mora em Munique, na Alemanha. É Jornalista e tem um marido super gente boa que a acompanha em suas aventuras. Adora fotografia. Ama a família e os animais. Aprecia as coisas simples da vida. E adora escrever no blog e conversar sobre viagens!

14 Comentário

  1. Isso aconteceu em Paris, mesma situacao. Em Paris tb o golpe da alianca de ouro, q colocam ao seu lado no chao depois te chamam dizendo q e sua, vc diz q nao mas cintinuam dizendo q sim.

    • Pois é, Alexandre. Temos que ficar muito atentos, independentemente de onde estivermos. Esse golpe do anel também é muito comum, assim como o da rosa, que eu pretendo abordar em outra postagem. Abraços e obrigada por sua colaboração!

  2. Eu fui roubada no metro do Coliseu de Roma ,no ultimo fim de semana. Não entendo como pois tinha o saco a tiracolo e na frente.

    • Nossa, que coisa mais desagradável. Precisamos mesmo estar muito atentos nesses lugares de maior movimento, não é? Os ladrões aproveitam nossos momentos de distração para fazerem o trabalho deles… Um abraço!

  3. Eu conheço um casal que foi assaltado no metro em Paris por aquelas gangues de adolescentes ciganas do leste europeu. Elas cercaram o casal pouco antes da porta do metro abrir e quando abriu deram um solavanco, desses que as vezes levamos de alguem quando está com pressa de sair do metro. Só que além do solavanco, elas puxaram a bolsa e sairam correndo.

  4. Eu super atenta!! Até reconheci uns pilantras na Piazza San Marco. Mas este da jaqueta nos abordou e tocou no nosso coração pra ajudá-lo! Infelizmente, se fosse para ele nos ajudar teríamos visto o golpe clássico na hora, pois para isto estávamos atentos. Mas quando alguém vem pedir ajuda para si ficamos idiotados! Agora aprenderemos a dizer mais nãos, magoe ou não, será assim. Queria não ter sabido o desfecho na história. Mas sei…

  5. Aconteceu com a gente hoje aqui em Roma. Foi a mesma lábia. O cara levou da gente 160 euros, e queria mais, pelo menos 300. Quando abrimos as embalagens, eram jaquetas velhas e uma estava descosturada.

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