Perrengue no avião: com desodorante vencido, meu vizinho tomou banho com um lencinho…

pepelepew

 
Voo AF 443 saindo do Rio de Janeiro com destino a Paris. Eu e minha amiga Joana embarcamos e, após caminharmos até o lugar marcado na passagem aérea, conhecemos nosso vizinho de assento. Era um gringo de origem européia.
 
Ao ver que nos sentaríamos ao seu lado, ele se levantou prontamente para que nos acomodássemos nos assentos do meio e da janela – e, em seguida, voltou a se sentar no corredor. 
 
Logo em seguida, decolamos felizes rumo à Cidade Luz. Daí pra frente o voo foi tranquilo, não fosse o calor dentro da aeronave.
 
Até que, após umas 5 horas de voo, Joana, que estava sentada no assento do meio (e tem um nariz megassensível), se vira pro meu lado e diz: “Acho que o desodorante do nosso amigo já perdeu o prazo de validade!”. 
 
Rimos ingenuamente e continuamos a viagem felizes mesmo assim, mas com um leve “futum” no ar. 
 
Hora do café da manhã: a coisa foi ficando séria. Nosso amigo resolveu tomar uma providência e ser proativo em relação ao “eau de catingué” que se instalava em suas axilas. Afinal, para quê serviria aquele lencinho umedecido oferecido tão generosamente pela companhia aérea, senão para um “banho de gato” público? 

 

 
Ele abre o envelope e começa a esfregar o lencinho embaixo do braço… E o fato de apenas levantar o braço já empesteava todo o ambiente… Pra completar, ele resolve fazer movimentos mais bruscos e intensos e, assim, compartilhava ainda mais o cheiro de roquefort estragado pelos assentos vizinhos.
 
Quase desmaiamos! Ficamos fazendo apneia por um bom tempo, porque o odor estava intragável…
 
E calma – se você acha que não dava pra piorar, escuta essa: quando o lencinho deu sinais de falência total, não satisfeito, nosso amigo pegou uma maldita garrafinha de água e molhou o lencinho, tentando dar a ele uma sobrevida que era praticamente impossível. 
 
Mais esfregação e, depois de uma meia-hora, ele aparentemente já se sentia aliviado e pronto para mais uma semana de labor edificante.


Enfim, quando ele baixou os braços foi um alívio geral para as nossas narinas!  
 
E foi então que começamos a temer o momento em que, após pousarmos em Paris, ele se levantaria para pegar sua bagagem acomodada no bagageiro superior espalhando a catinga no avião.
 
Pousamos. Ele soltou o cinto de segurança. E nós estávamos preparadas pro pior. Inspiramos fundo do lado oposto a ele e prendemos o ar. E ficamos assim, testando a resistência dos nossos pulmões, até que ele baixasse os braços e a qualidade do ar melhorasse.
 
Depois dessa história, apelidamos esse gringo de Pepe Le Pew. E quando achávamos que estávamos livres dele, não é que encontramos vários Pepes no aeroporto e em outros lugares que passamos na viagem? Vale apenas ressaltar que era Outono na Europa – e não Verão como poderia se imaginar.
 
Ainda bem que Paris é linda e Londres é fenomenal e nos fazem agora lembrar com graça desse trágico e insalubre perrengue olfativo!

 

Sobre Márcia Oliveira 226 Artigos
É uma carioca completamente apaixonada por viagens - assim que chega de uma já está planejando a próxima. Atualmente mora em Munique, na Alemanha. É Jornalista e tem um marido super gente boa que a acompanha em suas aventuras. Adora fotografia. Ama a família e os animais. Aprecia as coisas simples da vida. E adora escrever no blog e conversar sobre viagens!

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